Como a concentração de RNA viral do SARS-CoV-2 nos esgotos municipais revela a direção do surto

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Numa ciência que deve sempre ter como base a evidência, é de extrema importância olhar para os estudos que estão a ser realizados e que permitem adquirir conhecimentos que tragam uma vantagem competitiva quando a luta é para com um adversário invisível.

Um estudo que está a ser realizado numa colaboração de diversos institutos da Universidade de Yale, no Estados Unidos da América, conseguiu chegar a uma relação importante entre os níveis presentes em esgotos municipais de RNA viral do SARS-CoV-2, o vírus que origina a COVID-19, para com a evolução do surto nessa localização.

Num momento em que a avaliação da situação epidemiológica tem como base um rastreamento dos casos sintomáticos e dos contactos próximos, este apresenta uma desvantagem de estar a correr contra o tempo, já que a infeção que originou o caso detetado terá ocorrido em média 5/6 dias antes. Conseguir detetar estas situações o mais rápido possível, permite ganhar controlo sobre a evolução da situação.

Mas como?

Os resíduos fecais de indivíduos infetados contêm partículas virais do SARS-CoV-2, sendo que estas passam posteriormente para os sistemas de esgoto e, após análise dos resíduos, é possível quantificar a concentração de RNA viral.

O estudo foi realizado entre os dias 16 de Março e 1 de Maio, em New Haven, Connecticut, e numa estação de tratamento de resíduos que serve uma população de aproximadamente 200 mil pessoas.

Os resultados obtidos permitiram relacionar a concentração de RNA viral presente nos resíduos com a curva epidemiológica da COVID-19 (R2=0,99) e com as admissões no hospital local (R2=0,99) – R2 indica a relação entre as duas variáveis em estudo. Quanto mais próximo de 1, maior a relação.

A nível temporal, a concentração do RNA viral do SARS-CoV-2 permitiu “olhar” 7 dias à frente relativamente aos casos positivos detetados e 3 dias quando relacionado com os internamentos em hospital.

Tal tem extrema importância na tomada de decisões no que concerne à implementação ou relaxamento de medidas de restrição, permitindo às autoridades de saúde anteciparem de uma forma significativa as medidas que melhor se adequam a cada situação.

Figura 1 - Relação entre o a concentração de RNA viral detetado (vermelho) e o número de casos identificados (preto)
Figura 2 - Relação entre o a concentração de RNA viral detetado (vermelho) e o número de internamentos diário (preto)

Qual a capacidade de previsão da evolução do surto?

0 dias
Deteção de novos casos
0 dias
Internamento Hospitalar

O que permite esta informação?

Desta forma é possível aos países adotarem um plano atualizado de desconfinamento para os doentes infetados pelo SARS-CoV-2, permitindo que este período seja reduzido drasticamente. A precoce identificação de potenciais surtos permite adequar as medidas a serem tomadas, tanto no nível de restrição como num período adequado de tempo, mitigando assim efeitos ainda mais prejudiciais para a população e sistema de saúde.

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