Seguindo a série de artigos educacionais e sempre que surja uma temática que se mostre oportuno esclarecer, avançamos hoje para uma questão pertinente: Devemos ou não utilizar luvas e máscaras no nosso dia-a-dia, quando temos de sair de casa?

Não existe, de todo, uma resposta fácil ou correta. Existe sim aquela que é uma noção de cada um de nós em que, seguramente, achamos que utilizar não será pior do que não utilizar.

Esta premissa pode ser tudo menos verdadeira. Porquê? Todos nós já devemos ter ouvido falar sobre a “falsa sensação de segurança”, já abordada até pela Direção Geral de Saúde. Tal questão aplica-se tanto ao uso de máscaras como de luvas.

O que devemos fazer, perante um cenário de indecisão, até da autoridade de saúde, em relação a este assunto?

Educação de cada cidadão na utilização de luvas e de máscaras – No final do artigo, poderão ser encontrados vídeos que demonstram a correta utilização e descarte de luvas e máscaras.

Luvas

Começando pelas luvas, estas são completamente desnecessárias, já que o vírus não atravessa a epiderme. Podemos na mesma utilizar? Claro que sim, mas existem regras a cumprir na utilização das mesmas:

  • As luvas devem ser descartadas após utilização
  • O tempo de utilização de cada par não deve ser elevado, devido à acumulação de partículas virais nas luvas
  • Nunca em qualquer momento pode haver contacto entre a luva e os olhos, nariz, boca e cara

O último ponto é extremamente essencial. Todos sabemos a dificuldade existente para evitar tocar na cara, sendo este um movimento quase que involuntário que repetimos, seguramente, centenas de vezes ao dia. Ou seja, no final de tudo, verificamos que as luvas são tudo menos essenciais, já que o “movimento de risco” para a infecção é igual com ou sem luvas.

Acrescentar que a utilização das mesmas durante longos períodos não permite uma higienização correta das mãos. Se não as utilizarmos, pode ser feita uma higienização periódica evitando assim a possível infecção.

Qual a recomendação?

A recomendação é que, se não for profissional de saúde em constante contacto com infetados, a utilização das mesmas não é fundamental. A utilização de luvas irá levar a uma menor higienização das mãos, algo que não é de todo recomendado, pelo que poderá promover uma maior dispersão do vírus.

Máscaras

Contrariamente às luvas, o uso de máscaras é uma conversa completamente diferente. Começando pelo fim – Sim, as máscaras devem ser, SEMPRE, utilizadas quando for para sair de casa a fim de diminuir consideravelmente a oportunidade de contrair, ou se estiver infetado, de expelir partículas virais.

Primeiramente necessitamos de abordar os diversos tipos de máscaras existentes. Nem todas são aconselháveis e, num momento em que a falta desde equipamento é preocupante, já que as mesmas são de utilização única e os processos de reutilização podem promover um uso inadequado das mesmas, é necessário dar prioridade a quem contacta diariamente com infetados.

Máscaras Cirúrgicas vs Respiradores

Máscara Cirúrgica

Uma máscara cirúrgica é um dispositivo médico que pode ser comprado numa farmácia ou outra loja de produtos de conveniência e protege contra agentes infeciosos transmitidos através de gotículas. Estas podem ter origem na saliva ou ainda através do ar exalado.

Se for utilizado por uma pessoa infetada, esta previne a contaminação do ambiente à sua volta como também de quem está por perto. Não devem, contudo, ser utilizadas por períodos superiores a 5 horas e têm de ser descartadas.

Apesar disso, estas máscaras não protegem contra agentes infeciosos que se propagam no ar. Ainda que existam estudos que não apontem neste sentido em relação ao coronavírus, a verdade é que estas máscaras não serão 100% eficazes contra este novo vírus.

Respirador

Um respirador é um equipamento de proteção que previne o seu utilizador de inalar aerossóis (pó, fumo, etc) como também gases ou vapores (desinfetantes, gases anestésicos) que são perigos para a saúde. Estes protegem ainda contra vírus, como o cononavírus, SARS, H1N1, entre outros.

Os respiradores dividem-se em isoladores e filtradores. Os que possuem função de filtragem são feitos por uma peça única e um dispositivo de filtragem. Este é eficaz contra a inalação de gotículas de agentes infeciosos. Estes podem ou não ser reutilizáveis e no caso de poder ser usado novamente, o filtro deve ser substituído.

Quais são os padrões europeus relativamente a estes dispositivos de proteção?

Máscara Cirúrgica

Máscaras cirúrgicas são testadas na direção da expiração, ou seja, de dentro para fora. Os testes levam em consideração a eficiência da filtração. A nível Europeu, esta são classificadas em três níveis de eficiência (BFE1, BFE2, Tipo R)

BFE1 – Eficiência de filtração bacteriana mínima na ordem dos 95% – Apenas devem ser utilizadas por doentes de forma a reduzir a dispersão de infeções em situações de epidemia ou pandemia.

BFE2 – Eficiência de filtração bacteriana mínima na ordem dos 98%. Podem ser utilizadas pelas pessoas do BFE1 e também por profissionais de saúde em contexto de cirurgia.

Tipo R – Eficiência de filtração bacteriana mínima na ordem dos 98%. Podem ser utilizadas pelas pessoas do BFE1 e também por profissionais de saúde em contexto de cirurgia. A diferença está na resistência a salpicos.

Respirador

Em relação aos respiradores, estes são testados na direção da inspiração, ou seja, de fora para dentro. Os testes levam em consideração a eficiência do filtro e a passagem de partículas através da máscara. A nível Europeu, estão são classificadas em três níveis de eficiência (FFP1, FFP2, FFP3).

  • FFP1 – Menor filtragem em relação aos 3 níveis existentes, conseguido uma filtragem de pelo menos 80% e uma fuga, para o interior, de cerca de 22%.
  • FFP2 – A filtragem mínima é de 94% e de fuga, para o interior, de no máximo 8%. São usadas principalmente na construção, agricultura e por profissionais de saúde contra o vírus influenza. São atualmente usados para proteção contra o SARS-CoV-2.
  • FFP3 – Com uma filtragem mínima na ordem dos 99% e uma fuga, para o interior, de no máximo 2%, estas protegem eficazmente contra partículas muito finas.

Então, quais são as máscaras que efetivamente protegem contra o coronavírus?

Quem estiver infetado deve utilizar uma máscara cirúrgica assim que existir suspeita de contágio. Esta regra aplica-se a quem está assintomático ou acredite que possa ter estado com alguém infetado. Porquê esta máscara? Porque é eficaz, quanto baste, na propagação de partículas virais, do interior para o exterior.

Segundo as normas europeias, para os profissionais de saúde, é necessário um respirador da classe FFP2 ou FFP3 de forma a filtrar o máximo de partículas e aerossóis ao cuidar de um paciente infetado ou com suspeita de o ser.

Qual o comportamento das partículas com o uso de máscara?

Fonte: Medium

Qual a conclusão que pode ser tirada?

A conclusão é extremamente simples. A partir do momento em que seja necessário sair de casa, deve obrigatoriamente utilizar uma máscara. Sabendo também que as mesmas se encontram a escassear, pode sempre ser feita uma máscara em casa que pode ou não ser reutilizável. 

Como fazer uma máscara? Aconselho vivamente a leitura do Ponto 5 da página que deixo em hiperligação, além do vídeo presente onde é ensinado como fazer uma máscara.

Sabendo que as máscaras caseiras ou cirúrgicas não protegem a 100%, a utilização destas e ainda o respeito pelas regras de distanciamento social permitem uma proteção extra para si e para quem está à sua volta.

LaVision

Simulação da emissão de partículas aquando da respiração ou mesmo ao tossir. Há uma redução significativa das mesmas. 

Como utilizar e descartar uma máscara?

Fonte: Infarmed

Fonte: DGS

Se este artigo, apesar de longo, tiver esclarecido as suas dúvidas, considere partilhar de forma a fomentar a literacia em relação a este assunto.

Devemos utilizar luvas? E máscaras?
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